filme

Os delírios de Consumo de Becky Bloom” é um filme para rir e relaxar. O filme procura tratar de forma hilária um dos maiores problemas da contemporaneidade, o consumismo como vício que atinge muitas mulheres. Mostra como se dá a relação de desejo e compra especificamente para as mulheres que, em alguma medida, possui certa singularidade vinculada a gênero. Se por um lado o consumo (na perspectiva do exagero) pode ser visto como algo maléfico. Por outro, o consumo é uma das formas de constituição do sujeito e de sua identidade, o que você compra faz parte daquilo que você é. Esse é um ponto que, ainda de forma superficial, o filme traz essas questões e mostra como isso é importante para se entender o ser humano na atualidade. Há várias críticas que diz que o filme traz essas discussões de maneira muito superficial, mas não podia ser o contrário. Oras, não se pode perder de vista que o filme é uma comédia e, como tal, é incoerente esperar que traga à tona questões profundas sobre qualquer assunto.
Grande parte do sucesso comercial alcançado pelo filme se deve ao fato de ser uma adaptação do livro de Sophie Kinsella, “Confessions of  a Shopaholic”. Esse livro fez um grande sucesso junto do público feminino e quem foi ao cinema esperava uma excelente adaptação (assim como o fez o “Diário de Bridget Jones”). Para quem leu o livro, não consegue conceber na tela a Becky do livro e, muito menos, toda a sua ambiência social (diferentemente de “Bridget Jones”, por exemplo). Pode-se citar que no livro a protagonista é muito britânica e no filme é uma nova-iorquina. Logicamente, isso faz uma grande diferença! Os costumes e a forma de uma pessoa lidar com certas coisas, em grande medida, dependem da cultura em que se está inserido. Um britânico possui um ponto de vista diferente de um americano em muitos aspectos, por exemplo. A história não é a mesma com Becky sendo uma americana. O filme, em muitos momentos, traz uma Becky estúpida, supérflua e vazia que reafirma antigos estereótipos de mulher consumista, superficial e vazia. Isso é um imaginário social construído e não existe uma relação direta entre ser consumista e ser burra, ser consumista e ser superficial e assim por diante.
O filme não traz uma boa adaptação e pode ser considerado fraco dentro do gênero (comédia) que se propõe ser construído e parte desse problema é visivelmente da direção. O uso excessivo de cores, manequins que mexem e a própria fragilidade da interpretação dos personagens deixam claro muitos problemas do filme. P.J. Hogan já provou que sabe dirigir bons filmes de comédia (como o “Casamento de Meu Melhor Amigo”), mas decepciona nesse, pois não consegue dar profundidade à história como no livro e, muito menos, à protagonista, ainda que haja esforços claros de Isla Fisher para construir esse personagem. O filme é totalmente previsível, não faz jus à obra e a trilha sonora não é boa, ainda que tenha um ou outro hit interessante. Tudo é apresentado de maneira muito generalista e o filme não consegue arrancar boas gargalhadas (como o “Diário de Bridget Jones”, por exemplo consegue).
Hogan, o que aconteceu com sua direção neste filme? Você consegue fazer mais e já provou isso em outros filmes!

E você? O que achou desse filme? Deixe seu comentário, sua crítica!

Mulher Digital

Se usar esse texto (qualquer parte), favor citar a fonte (Site Mulher Digital).

2 comentários para “Crítica – Os Delírios de Consumo de Becky Bloom (Confessions of a Shopaholic)”

  1. Anônimo

    Bom, eu assisti o filme e li o livro e eu achei uma ABSURDO o conteúdo do filme. Aonde está a adaptação? Eu achei que o filme não tem nada a ver com o livro, onde a comedia é muito mais inteligente e muito mais legal. Isso me incomodou muito! Bom é isso. Tchau

    Responder
  2. Carolina Moraes

    Eu estou totalmente decepcionada com essa adaptação medíocre que fizeram do filme. Fui ao cinema na maior ansiosidade, esperando ver cenas que tentava montar em meu imaginário. E cade?

    Também achei que abusaram muito do figurino da Becky, ficou muito extravagante.

    Sinceramente, deixou MUITO a desejar.

    INFELIZMENTE.

    Responder

Deixe um comentário

  • (não será divulgado)