“Alice no País das Maravilhas” (2010) apresenta uma direção de arte e figurino de tirar o fôlego! As cores “sombrias” características do toque de Tim Burtom envolve, conquista e nos apresenta um “país das maravilhas” totalmente surreal e inédito! O “País das Maravilhas” é a “TimBurtoland”! [Não sabe do que estou falando? Acesse:  “Alice no País das Maravilhas“.] As cores trazem um “país das maravilhas” que desliza entre o frio e o acolhedor. Na verdade, esse é o paradoxo desse mundo fantástico durante todo decorrer do filme – o bem e o mal, o bom e o ruim, o grande e o pequeno, mas que sempre tendência para o lado positivo com a ação da heroína – Alice, típico da Disney.

Os personagens ficaram maravilhosos! Com certeza Carroll ficaria impressionado! São esses elementos que nos prende no filme: as cores, a caracterização dos personagens e o impressionante 3D de Burton. O público se envolve com isso e fica louco!

O que é mais impressionante também é a atuação de Johnny Depp. O que já era esperado! Ele conseguiu interpretar toda a essência e eloquência do Chapeleiro Maluco, com o plus de conseguir dar o caráter emotivo ao personagem. Sem sombra de dúvidas, é Depp que traz o ar “lendário” de Carroll para dentro do filme. Impressiona, deixa sem fôlego e encanta. A meu ver, Depp é a estrela do filme! Uma interpretação enigmática!

Helena Bonham Carter não deixa por menos e interpreta a vilã Rainha Vermelha com maestria, trazendo todos os aspectos que Burton poderia esperar em uma vilã. O tempo todo sua ela vai do cativante ao repulsivo. Essa é a característica de uma grande vilã! Conquistar e enfurecer!

Cinema

Mia Wasikowska consegue trazer toda a doçura e a leveza da Alice de Carroll, sem parecer uma bobona. Pelo contrário, a Alice aqui se mostra não se encaixar naquilo que o seu meio social espera dela. Mia traz uma Alice geniosa, decidida, mas no decorrer do filme, muitas vezes seu jeito “female power” se perde, sendo retomado no fim. Mas isso não se deve a sua interpretação. Quando Alice coloca toda aquela armadura para sua grande batalha no filme, o público esperava muito mais – uma Alice reinventada forte e que muda toda sua história com força, astúcia e genialidade. O roteiro apresenta problemas. [Acesse também: Mia para Vogue]

O público chega e o fim não surpreende. A história começa totalmente envolvente, mas no decorrer vai dando espaço a uma seqüência que parece se perder, com uma narrativa totalmente previsível, o que faz com que todo o filme perca aquela definição inicial que percebemos e sentimos. O fim é decepcionante! Você termina o filme esperando que algo aconteça. Eu me fiz a pergunta: “- O fim é isso mesmo?” O cerne da proposta inicial se perde. “- Cadê o fim de Alice?”

Para mim os problemas não param por aqui! Alguns personagens ficam ofuscados e o público esperava o contrário, como o “Gato Cheshire”, por exemplo. Cheshire aparece poucas vezes e, em muitos casos, parece deslocado da narrativa. O público esperava que ele  tivesse um pouco mais central dentro do filme, sem necessariamente tomar muito espaço. Anne Hathaway (Rainha Branca) também não apareceu tanto como gostaríamos, mais uma vez, culpa do roteiro. Todos esperavam uma rainha menos bobinha e que mesclasse loucura com imponência.

Vale relativizar: Burton também enfretou dois grandes desafios ao se propor a fazer esse filme. Primeiro, produzir um clássico da literatura, que o público de forma geral tem uma idéia formada a respeito da história e de como se daria a seqüência dramática. O segundo desafio, usar os recursos visuais sem deixar que a história se perca. Percebe-se um esforço final para tentar fazer com que as coisas dêem certas (em termos de roteiro). Por isso, é preciso reconhecer que é imensamente difícil ter o equilíbrio entre a ação em filmes como esse, a literatura do livro e a outra versão proposta como um todo.

Tim Burton não deixa de ser fantástico por causa disso! Justamente devido ao fato de ele ser quem é , que todos esperavam que tudo tivesse um equilíbrio invejável e assim, muitas vezes, somos tão críticos. O apuro artístico do filme é o seu grande triunfo. Um dos melhores de todos os tempos. O filme vale por isso tudo também! Tim Burton continua sendo o máximo! Vale a pena!

Você viu? Conte para mim o que achou! Deixe a sua opinião sobre o filme nos comentários!

4 comentários para “Meu Olhar Sobre “Alice no País das Maravilhas” de Burton”

  1. Odete

    Concordo plenamente. Tive vontade de sair no meio do filme. Totalmente sem graça. Queremos filmes com mais ação, mais comédias. Enfim, com mais emoção.

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  2. Marcia Regina

    Alice é pura ficção. Deve mexer com o magnífico, o irreal, o maravilhoso… Sou fã da dupla Tim Burton e Jonny Deep, que por sinal estava impecável, pra mim, Jonny roubou toda a cena. Com certeza vou assisti-lo novamente!

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  3. Roberta

    Achei mágico, me enchi de alegria estando lá assistindo a uma obra que apesar de conhecida está tão bem elaborada. Me envolvi na história que ao final não trazia nada de ação ou comédia, mas é pura reflexão da condição humana e feminina. Assumir-se, criar objetivos e seguí-los sem medo, ao invés de só aceitar o que lhe é imposto. Alice teve seu tempo de maturação no País das Maravilhas, mas todas as decisões dependiam dela e quando ela por fim se decidiu e saiu do buraco em todos os sentidos, assumiu sua opinião e verbalizou tudo que estava sentindo. Grande ALICE!

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  4. Josiane

    Gostei do filme, é realmente para pensar em quantas vezes tomam decisões por nós, a sociedade, família e tantas outras situações, sempre tem alguém dizendo o que é melhor para outro. O filme é muito bom por isto, coloca um efeito especial e sentido para a vida de cada um que conseguir enxergar, que deve fazer com sua própria história.

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