A cirurgia de redução de estômago (chamada de cirurgia bariátrica) tem sido alvo de debates no meio acadêmico e na mídia quanto à necessidade e os seus possíveis “efeitos colaterais”, que podem ser danosos para muitos pacientes. Segundo a ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), não há números precisos quanto ao total de cirurgias feitas anualmente no Brasil, mas estima-se que sejam aproximadamente 25.000 cirurgias/ano no total, sendo que esse número tendencia a aumentar mais a cada ano que passa.

Ainda, de acordo com a ABESO, há estudos de pesquisadores, como por exemplo, do Institut National de la Santé el de la Recherche Médicale (Inserm), coordenado por Beverly Balkau, que apontam que ¼ da população do globo sofrem de obesidade. Isso traz questionamentos quanto à alimentação das pessoas em geral e à prática de exercícios físicos e, particularmente, em que direção tem caminhado a saúde dos brasileiros. Outra reflexão é o que tem feito os governos em todo mundo para sanar futuros problemas na população de sobre peso e, mais grave, de obesidade mórbida. O governo brasileiro em particular? Porque, de fato, sabe-se que atitudes preventivas/profiláticas funcionam muito melhor que após um surto já instalado em todo Brasil.

Outra questão que deve ser salientada quanto a esse assunto é que a cirurgia de redução de estômago é indicada apenas para pessoas que se classificam com obesidade mórbida e não é o paciente quem decide se é ou não obeso. O médico é que é o responsável pelo diagnóstico. Ultimamente, no Brasil em particular, tornou-se “moda” fazer esse tipo de cirurgia e tem sido difundido principalmente por pessoas do meio artístico em voga na mídia (cantores, apresentadores e afins) que fizeram e acabam, de certa forma, vendendo-a. Porém, sabe-se que essa cirurgia não é apenas por um fator puramente estético, envolve principalmente a questão de diversos problemas com a saúde do paciente.

Portanto, anterior a qualquer intervenção cirúrgica desse tipo, deve-se questionar inicialmente se a pessoa configura-se como obeso mórbido. Lembrando que há diversas formas de obter esse diagnóstico, não é apenas o IMC (Índice de Massa Corpórea) e isso será definido de acordo com cada médico. Alguns autores e especialistas da área sugerem que devem ser verificados se há outras doenças que estão associadas com a questão da obesidade (hipertensão arterial, diabete, entre outras), se o paciente realmente já fez de tudo para emagrecer e houve problemas com todos os métodos de emagrecimento normalmente utilizados, além da avaliação psíquica do paciente. Ou seja, será que a pessoa já fez tudo que era possível para emagrecer? Há realmente algum problema metabólico? Qual a forma dessa pessoa de se alimentar? Há práticas de atividades físicas? Qual o perfil desse paciente?

Nesse sentido, são muitos questionamentos antes de qualquer intervenção cirúrgica desse tipo e isso não é apenas uma decisão da pessoa. É uma necessidade devido à problema de saúde (e não de beleza!).

Senão é o seu caso, não importa, deve pensar se você se alimenta de forma saudável, pratica exercícios físicos (mesmo que seja caminhada) e qual o seu estilo de vida? Isso tudo pode ser crucial para no futuro ter ou não problemas com seu peso e sua saúde.

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